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Família de hormônios glicoprotéicos: HCG,FSH,LH e TSH
Neurotransmissores, neuromoduladores e
neuroreceptores
Ao aproximar-se o período do climatério
feminino, usualmente começam a surgir alterações no ciclo menstrual, entre
elas: hiperpolimenorréia, oligomenorréia e amenorréia. Nessa fase, as ovulações
tomam-se menos freqüentes e, em decorrência das alterações funcionais do eixo
hipotálamo-hipófise-gonadal, poderão ocorrer cistos foliculares. Ao
aproximar-se a menopausa, os ovários vão reduzindo seu volume, não respondendo
à estimulação das gonadotrofinas e
apresentando redução progressiva na síntese estrogênica, associada à elevação
dos pulsos e níveis de FSH e LH. Os trabalhos científicos admitem que a
falência ovariana decorre, principalmente, das alterações primárias do ovário.
O isolamento de neurotransmissores
hipotalâmicos ovarianos tem possibilitado documentar o importante papel que
estas substâncias exercem sobre a secreção dos neuropeptídios hipofisários e,
entre eles, destacamos as gonadotrofinas que são essenciais para a produção
adequada dos esteróides. A maioria dos trabalhos estudou o mecanismo de ação da
dopamina (DA), norepinefrina (NE) e da serotonina (5-HT), cujos teores elevados
são detectados em vários sítios hipotalâmicos.
De outra parte, inúmeras investigações
demonstraram a influência que outros produtos neuroendócrinos exercem na
secreção de hormônios pituitários, entre eles destacamos: histamina,
acetilcolina, opióides (endorfinas e encefalinas), ácido gama-aminobutírico
(GABA) melatonina, neurotensina e substância P. Não obstante as amplas investigações, o
mecanismo preciso da regulação destas substâncias, bem como as suas reações com
a síntese de gonadotrofinas, na atualidade, encontram-se obscuro.
De forma genérica, acredita-se que os
neurotransmissores hipotalâmicos influenciam a regulação da secreção dos
hormônios pituitários através do GnRH, somatostamina e hormônio regulador de tireotrofina,
que atingirão, por sua vez, diretamente a hipófise e seus grupos celulares
principais, através do sistema porta-hipofisário.
Para melhor entender os sintomas clínicos do
climatério, é necessário compreender as interações que existem entre os vários
núcleos hipotalâmicos e que alguns dos sintomas não são específicos da
deficiência estrogênica, mas relacionados às alterações psicológicas que se
exacerbam. No entanto, como existem relações e passos enzimáticos comuns entre
as várias vias metabólicas no hipotálamo, a deficiência estrogênica, as
alterações estressantes do meio e as alterações próprias do envelhecimento vão
desencadear ou contribuir para o surgimento das manifestações clínicas desse período.
No caso da redução estrogênica do climatério, as modulações de catecolaminas,
catecolestrogênios, prostaglandinas e 5-HT ao nível hipotalâmico, poderão
potencializar as alterações psicológicas desse período.
Assim sendo, as alterações nos teores de DA e
NE, da mesma forma que de seus metabolitos, podem-nos ajudar a determinar o
início do declínio da função reprodutiva no climatério e o início do surgimento
dos processos de envelhecimento neuronal. Dessa forma, fica claro que não se
compreende estudar as alterações neuroendócrinas, sem efetuar estudos paralelos
e simultâneos dos distúrbios psicológicos, da carência estrogênica e dos
processos do envelhecimento ao longo do climatério. Estas condições quando
analisadas simultaneamente nos encaminham para uma abordagem sempre holística
do climatério, na qual a pessoa sempre deve ser observada no seu contexto
sócio-econômico e cultural.
Entendendo como os fatores estressantes, a dieta
e os exercícios atuam em vários tratos hipotalâmicos e, indiretamente, sobre os
centros cíclico e tônico das gonadotrofinas e de outras substâncias
hipofisárias, passamos a valorizar a importância da adequada orientação que a
mulher deve receber ao longo de sua vida. Ao mesmo tempo, passamos a impedir
que o desequilíbrio do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal e suas glândulas
correlatas (supra-renal, tireóide, tecido adiposo e etc.) seja estabelecido com
variações pulsáteis amplas. Dessa forma, torna-se o climatério mais saudável
(Figura 1).
O entendimento da atividade dinâmica dos tratos
hipotalâmicos relacionados abaixo, bem como de algumas substâncias que direta
ou indiretamente atuam nas diferentes vias metabólicas, facilitará a nossa
compreensão.
Trato dopamina
- Os neurônios são detectados sintetizando a DA no núcleo arqueado e no
paraventricular. A elevação da DA está associada à redução de PRL e
gonadotrofinas. A DA inibe o GnRH no hipotálamo e por conseguinte os níveis de
FSH e LH.
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SUBSTÂNCIA |
1 A 5 anos de menopausa |
> 5 anos |
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N ou |
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Serotonina |
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OPIÓIDES |
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N= normal |
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Figura 1 - Neuroendocrinologia do
climatério: alterações dos neurotransmissores.
Trato
noradrenalina - Os neurônios que secretam a NE estão
localizados no mesencéfalo e tronco cerebral inferior (TCI). No TCI também ocorre
síntese de 5-HT. No trato túbero-infundibular a NE regula a liberação pulsátil
do GnRH. Atribuem-se ao equilíbrio de síntese do GnRH, a estimulação de NE e a
inibição de DA e 5-HT.
Dessa forma, medicações com ações farmacológicas
efetivas ou distúrbios psicológicos que alteram a dinâmica hipotalâmica, bem
como as substâncias relatadas abaixo, poderiam interferir na liberação pulsátil
do GnRH ocasionando diversos quadros clínicos.
Substância
P -
Transmissor sensitivo da dor.
Colecistocinina - Hormônio intestinal
detectado no cérebro, atuando em centros da fome, da saciedade e ingestão
liquida.
Neurotensina - Substância
vasodilatadora que atua no centro termorregulador, reduzindo a temperatura
referencial.
Somatostatina - Peptídio
hipotalâmico que inibe a liberação de hormônio do crescimento (GH) e da
prolactina (PRL). Durante o estresse ocorre redução do GH em decorrência do
aumento da somatostatina. A ablação do núcleo pré-óptico bloqueia o estresse.
TSH - Presente no cérebro,
estômago, intestino e pâncreas. Inibe a insulina, glucagon e gastrina.
TRH - Além de atuar
na síntese de TSH, promove a excitação do comportamento, anorexia em animais e
elevação do humor em humanos. É estimulado pela noradrenalina e inibido pela
dopamina.
Endorfinas - A b-lipoproteína
e o ACTH compartilham de um precursor comum ¾
a proopiomelanocortina. A lipoproteína é degradada em b-MSH,
melatonina, encefalina, a,
g e b endorfinas. Estas são
dez vezes mais potentes que a morfina. Encontram-se elevados teores no sistema
límbico (região das emoções impulsivas) e no tronco cerebral (reflexos da
respiração), difundindo-se por todo o cérebro e sistema espinal.
Os principais produtos de secreção hipofisária,
decorrentes do estresse intenso, são o ACTH e as b-lipoproteínas.
No hipotálamo, na região do núcleo ventromedial, a b-endorfina
é o principal produto.
Os opióides apresentam algumas propriedades já
bem estabelecidas:
1. imulam GH, ACTH e inibem FSH, LH e TSH;
2. alteram a ação dos hormônios liberadores
sobre a hipófise;
3. Não localizados nos neurônios dopaminérgicos;
4. o bloqueio
dos receptores opióides aumenta a amplitude e a freqüência dos pulsos do PSH;
5. inibem indiretamente o TRH;
6. elevam a Prolactina por inibirem a dopamina,
ocasionando amenorréia hipotalâmica;
7. são mediadores da diminuição das
gonadotrofinas e da elevação da prolactina em mulheres submetidas a exercícios
intensos e estresses crônicos.
Catecolestrogênios - Compostos químicos com duas faces ativas
do ponto de vista farmacológico, devido sua configuração especial: a enzima
estradiol-2 OH-hidroxilase está em níveis elevados no hipotálamo, sendo a
principal responsável pelas elevadas concentrações de 2-hidroxiestrona e não do
estradiol e estrona.
A característica morfológica dos
catecolestrogênios permite interagir tanto nos passos das catecolaminas quanto
na via dos estrogênios, no hipotálamo.
Inibindo a tiroxina-lúdroxilase ou competindo
com a catecol-Ometil-transferase, o catecolestrogênio modula a síntese do GnRH
pois altera o tônus noradrenérgico e doparninérgico.
Ocorrendo instabilidade na produção de NE e DA,
os diferentes tratos hipotalâmicos que guardam relação com a área pré-óptica, o
núcleo arqueado, a área paraventricular, o centro da fome, o centro
termorregulador, o centro cíclico e o centro da vigília, entre outros,
apresentarão alterações em suas vias metabólicas, desencadeando todas as
manifestações clinicas e psicológicas que ocorrem nesse período.
O ginecologista, atento a todos esses
entendimentos, perceberá rapidamente que o manuseio adequado do climatério deve
ser conduzido de tal forma que o desequilíbrio do eixo
hipotálamo-hipófise-gonadal se estabeleça de forma lenta e gradativa. Assim,
utilizando-se medicações com ação moduladora sobre o sistema de alças, longa,
curta e ultracurta, bem como efetuando, para cada paciente, adequação em seu
contexto sócio-econômico-cultural, o especialista fará com que este período
torne-se tranqüilo, ausente de queixas tão variadas, transformando-o realmente
em uma longa fase produtiva.
Glossário
Os
hormônios glicoprotéicos são constituídos de três gonadotrofinas, a
gonadotrofina coriônica humana (human chrorionic gonadotrophin, HCG),o hormônio folículo estimulante (follicle-stimulating hormone,
FSH) e hormônio luteinizante (luteinizing hormone,
LH), e o hormônio estimulador da tireóide (Thyroid-stimulating hormone,
TSH). A gonadotrofina coriônica humana é produzida pela placenta; as outras
três se originam da hipófise. Todas são heterodímeros, ou seja, proteínas
compostas de duas cadeias diferentes de polipeptídeos, geralmente designadas de
alfa e beta. Neste caso, todos os quatro hormônios têm uma subunidade alfa
comum acoplada a diferentes subunidades beta de hormônios específicos.
Os
androgênios, tanto no homem como na mulher, atuam principalmente nos aspectos
motivacionais ou libidinais, e não na resposta fisiológica periférica.
Estrogênios
Estrogênios
atuam perifericamente aumentando a vascularização, lubrificação, elasticidade e
trofismo da vagina, conseqüentemente diminuindo a dispareunia e, neste sentido,
melhorando o ato físico do coito. Contudo, eles são desprovidos de efeitos
sobre os aspectos motivacionais do comportamento sexual, tais como desejo,
fantasias, auto-erotismo e gratificação.
Globulina
Fixadora dos Esteróides Sexuais (SHBG)
A
globulina fixadora dos esteróides sexuais (SHBG) é sintetizada no figado é tem
uma afinidade maior pela testosterona quando comparada com os estrogênios. Este
aumento da SHBG resulta numa maior conjugação da testosterona, diminuindo a sua
fração livre que é a biologicamente ativa.
O hormônio folículo estimulante (FSH)como o próprio nome diz estimula os folículos ovarianos a produzir estrógenos. O FSH é produzido na adenohipófise por estímulo do GNRH.
Folículo estimulante (FSH), Hormônio Luteinizante
(LH) e o estradiol em duas ocasiões podem auxiliar na determinação da função
folicular remanescente. Se os níveis de LH forem maiores que os de FSH, ou a
concentração de estradiol encontrar-se acima de 50 pg/ml, existem folículos
presentes e funcionantes, fato que representa prognóstico reprodutivo. De outra
parte, na ausência de secreção estrogênica significante, os níveis de FSH são
invariavelmente maiores que os de LH, denotando a pobreza folicular.
O
hormônio luteinizante (LH) é produzido na adenohipófise por estímulo do GNRH
O LH
tem estímulo trófico sobre as células do estroma ovariano, que possuem
receptores para LH e produz os esteróides que são próprios deste compartimento,
principalmente testosterona e androstenediona.
O
Hormônio Regulador das Gonadotrofinas (GnRH) é sintetizado no núcleo arqueado e
transferido aos vasos portais (hipófise anterior) através do trato túbero-infundibular.
O os neurotransmissores hipotalâmicos influenciam a regulação da secreção dos
hormônios pituitários através do GnRH, somatostamina e hormônio regulador de
tireotrofina, que atingirão, por sua vez, diretamente a hipófise e seus grupos
celulares principais, através do sistema porta-hipofisário.s neurotransmissores
hipotalâmicos influenciam a regulação da secreção dos hormônios pituitários
através do GnRH, somatostamina e hormônio regulador de tireotrofina, que
atingirão, por sua vez, diretamente a hipófise e seus grupos celulares
principais, através do sistema porta-hipofisário.
O hormônio
Regulador da somatotrofina (HRS) é um peptídeo hipotalâmico que estimula a produção
de somatotrofina pela adenohipófise que leva a produção de fator de crescimento
insulina-simile pelo fígado.
Somatostatina - Peptídio hipotalâmico que
estimula a produção de FSH, LH. A somatostaina inibe a liberação de hormônio do
crescimento (GH) e da prolactina (PRL).